Autor: Daniel Glattauer
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788581050669
Páginas: 184
"Num e-mail enviado por engano, começa um relacionamento virtual que testa as convicções de Leo Leike e Emmi Rothner. Leo Leike, ainda digerindo o fracasso de seu último relacionamento, responde de forma espirituosa a duas mensagens enviadas por engano por Emmi Rothner, casada. Inicialmente, ela só queria cancelar uma assinatura de revista. Depois, inclui Leo por engano entre os destinatários de um e-mail de boas festas. Na terceira troca de e-mails, o mal-entendido dá lugar à atração mútua, reforçada pelo fato de um nunca ter visto o outro.
Nada como a curiosidade instigada por frases bem encadeadas chegando a intervalos regulares numa caixa postal eletrônica para que os dois se esqueçam dos possíveis impedimentos. A cada dia, Leo e Emmi se sentem mais impelidos a marcarem um encontro. Após trocas contínuas de mensagens, está claro para ambos que o marido dela e as feridas emocionais dele não serão obstáculos para que marquem um encontro. O único obstáculo real é a insegurança de ambos quanto à transformação da fantasia em realidade. A expectativa é uma faca de dois gumes e a realidade pode não estar à altura."
Nada como a curiosidade instigada por frases bem encadeadas chegando a intervalos regulares numa caixa postal eletrônica para que os dois se esqueçam dos possíveis impedimentos. A cada dia, Leo e Emmi se sentem mais impelidos a marcarem um encontro. Após trocas contínuas de mensagens, está claro para ambos que o marido dela e as feridas emocionais dele não serão obstáculos para que marquem um encontro. O único obstáculo real é a insegurança de ambos quanto à transformação da fantasia em realidade. A expectativa é uma faca de dois gumes e a realidade pode não estar à altura."
"Assunto: Cancelamento
Gostaria de cancelar minha assinatura. Dá pra fazer por aqui?
Cordialmente, E. Rothner"
Emmi Rothner, insatisfeita com a assinatura de uma revista, decide cancelá-la por e-mail. Por engano, acaba enviando a mensagem para o desconhecido Leo Leike, que possui um endereço eletrônico parecido com o da revista. Tal carta virtual acaba desencadeando alguns e-mails educados entre os dois, que depois esquecem um do outro... Até Emmi cometer o mesmíssimo erro.
Esse é o ponto de partida para uma amizade entre ambos, que começam a se analisar, criando figuras físicas a partir das características psicológicas demonstradas nos e-mails. Não demora muito para que a amizade evolua para um jogo de flertes descarados. Apesar de Emmi ser casada e Leo estar se recuperando de um namoro conturbado, eles não vêm problema nisso. Tudo não passa de uma brincadeira. Quem poderia julgá-los? Eles não se conhecem e não saberiam se identificar caso se encontrassem pelas ruas da cidade onde moram. Além de pequenos fatos, a única coisa concreta entre ambos é o endereço de e-mail que compartilham.
Nesse jogo de flertes, Leo e Emmi acabam desenvolvendo um vínculo mais aprofundado sem perceberem. Ele a idealiza como a mulher perfeita com quem passaria o resto da vida sem problema algum. E ela o vê como ponto de escape de sua rotina conjugal. Eles criam uma realidade virtual onde só existem os dois e nada mais.
Mas até que ponto eles manterão o controle? Até que momento a coisa será apenas uma brincadeira?
“Não, Emmi, você não é uma qualquer. Se alguém não é uma qualquer, esse alguém é você. [...] Para mim, você é como uma segunda voz dentro de mim, que me acompanha durante o dia a dia.Você fez do meu monólogo interior um diálogo. Você enriquece minha vida interior. Você questiona, insiste, satiriza, você entre em conflito comigo.”
@mor é escrito inteiramente na forma de e-mails. Além de ser pequeno (184 páginas), a leitura é super rápida, porque quando você decide parar de ler, você pensa: “Ah, só vou ler o próximo e-mail”, até perceber que o livro já acabou. Pelo menos foi assim comigo.
É legal ir percebendo como o relacionamento de Leo e Emmi evolui ao decorrer das páginas. Por exemplo, você começa a notar mudanças na estrutura dos e-mails, que passam de algo mais formal para o informal. E quando os dois brigam, por exemplo, a estrutura volta a ser formal. Ponto para o autor, que se preocupou com esses detalhes.
“Não se pode repetir os velhos tempos. Como o nome já diz, esses tempos são velhos. Novos tempos não podem nunca ser como os velhos tempos. Quando se tenta, eles parecem tão somente antigos e gastos, como aqueles pelos quais se suspira. Não se deve nunca lamentar o tempo que passou. Quem lamenta está velho e de luto. Posso lhe revelar uma coisa? Eu não queria mais nada além de voltar pra casa – pro Léo.”
Logicamente, por ser escrito com e-mails, @mor tem uma narrativa diferenciada, que não estamos acostumados a ver por ai. O enredo, por exemplo, é bastante limitado. É Léo e Emmi, Léo e Emmi, Léo e Emmi. Lógico que os lemos se relacionando com outras pessoas, todavia nada muito explorado. A história é dos dois protagonistas – sem mais! Entretanto acho que o leitor já fica bem ciente desse fato quando compra o livro.
@mor é um romance moderno e ousado. Não é perfeito, não mudará sua vida, não te trará nenhuma lição de moral, mas você conseguirá passar um tempo prazeroso lendo-o (se você gostar desse estilo, lógico). Se você já estabeleceu um relacionamento virtualmente, mesmo que de amizade, tenho certeza que se identificará com a história de Emmi e Léo. E, assim como eu, vai querer matar o autor, por terminá-la com um gancho aterrorizante e enlouquecedor.
O livro é fino, possui páginas amareladas, diagramação simples e letras pequenas. A capa não é lá essas coisas, ainda que tenha um propósito simbólico.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Qualquer comentário ofensivo será excluído.